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Dr. Vagner Camargo Pires | CRM-TO 4329 | Ortopedista e Especialista em Dor
A dor no calcanhar ao dar os primeiros passos pela manhã é um dos sintomas mais característicos da fascite plantar — uma das condições ortopédicas mais comuns, que afeta corredores, pessoas com sobrepeso e profissionais que ficam muito tempo em pé. Entender a causa correta é fundamental para um tratamento eficaz.
Dado importante: A fascite plantar afeta aproximadamente 10% da população ao longo da vida. É responsável por cerca de 80% das queixas de dor no calcanhar em adultos ativos.
A fáscia plantar é uma banda espessa de tecido conjuntivo que percorre a planta do pé, do calcâneo (osso do calcanhar) até a base dos dedos. Ela atua como um amortecedor natural e sustenta o arco plantar durante a caminhada e corrida.
Quando essa estrutura é sobrecarregada de forma repetitiva, surgem microlesões na sua inserção no calcâneo, causando inflamação e dor — o que chamamos de fascite plantar.
O esporão de calcâneo é uma calcificação óssea que se forma na inserção da fáscia plantar no calcâneo. Ele aparece na radiografia como uma "projeção" óssea. Muitos pacientes acreditam que o esporão é a causa da dor, mas na realidade ele é uma consequência da inflamação crônica da fáscia.
Estudos mostram que muitas pessoas têm esporão de calcâneo sem sentir dor alguma. A fonte da dor é a fascite (inflamação da fáscia), não necessariamente o esporão em si.
O principal fator causador é o excesso de carga sobre a fáscia — seja pelo aumento rápido do volume de treinos em corredores, por longas horas em pé sobre superfícies duras, ou pelo ganho de peso.
A tensão excessiva na cadeia posterior da perna é um dos principais contribuintes para a fascite plantar. O encurtamento da panturrilha aumenta a tração sobre a fáscia durante o apoio do pé.
Pé plano (pronado) ou pé cavo (supinado) alteram a distribuição de forças na planta do pé, sobrecarregando a fáscia. O uso de calçados inadequados — especialmente sem suporte de arco — agrava o problema.
Obesidade, idade entre 40 e 60 anos, atividades de impacto repetitivo (corrida, dança, basquete) e trabalho que exige longos períodos em pé são fatores que aumentam significativamente o risco.
O diagnóstico é essencialmente clínico. A dor característica no calcanhar medial (parte interna do calcanhar), pior nos primeiros passos pela manhã e após períodos de repouso prolongado, já sugere fortemente o diagnóstico.
O exame físico confirma através da dor à palpação da inserção da fáscia no calcâneo e do teste de dorsiflexão passiva do hálux. O ultrassom é o exame de imagem de eleição — permite visualizar o espessamento da fáscia, focos de degeneração e calcificações. A radiografia identifica o esporão quando presente.
A base do tratamento é a fisioterapia, com foco no alongamento da cadeia posterior (panturrilha, tendão de Aquiles e fáscia plantar), fortalecimento da musculatura intrínseca do pé e uso de órteses plantares personalizadas. Em 80-90% dos casos, o tratamento conservador bem conduzido resolve o problema em 6 a 12 meses.
A terapia por ondas de choque é uma das opções mais eficazes para fascite plantar crônica que não respondeu ao tratamento conservador inicial. As ondas de pressão estimulam a regeneração tecidual, a neovascularização e reduzem a sensibilidade das terminações nervosas. Taxa de sucesso superior a 75% após 3 sessões.
A infiltração de corticoide ou PRP (Plasma Rico em Plaquetas) realizada com guia de ultrassom deposita o produto exatamente na fáscia espessada, maximizando o efeito e minimizando riscos. O PRP estimula a regeneração da fáscia, com resultados mais duradouros que o corticoide.
Nos casos refratários, uma pequena incisão percutânea guiada por ultrassom libera a fáscia plantar sem necessidade de cirurgia aberta. Procedimento minimamente invasivo com rápida recuperação.
Sim. Com tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes obtém resolução completa dos sintomas. O tempo varia — casos agudos respondem em semanas; casos crônicos podem levar meses.
Depende da fase e da intensidade. Em geral, reduzir volume e intensidade, usar palmilha de suporte e fazer alongamentos antes e depois do treino permite manter alguma atividade. Nos casos agudos, pode ser necessário repouso temporário.
O corticoide tem efeito anti-inflamatório mais rápido, mas pode fragilizar a fáscia com injeções repetidas. O PRP é mais lento no início, porém estimula a regeneração tecidual e tem resultados mais duradouros. São opções complementares, não excludentes.
Raramente. A remoção cirúrgica do esporão é excepcional — como ele não é a causa primária da dor, tratá-la (a fascite) resolve o problema na quase totalidade dos casos sem necessidade de operar.
Habitualmente 3 sessões com intervalo de 7 a 14 dias. A resposta costuma ser gradual — melhora progressiva nas semanas seguintes a cada sessão.
Avaliação individualizada com Dr. Vagner Pires — Ortopedista e Especialista em Dor em Palmas-TO
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