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Dr. Vagner Camargo Pires | CRM-TO 4329 | Ortopedista e Especialista em Dor — Palmas, TO
A síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia por compressão mais comum do corpo humano. Ocorre quando o nervo mediano é comprimido no túnel do carpo — um canal estreito no pulso formado pelos ossos do carpo e pelo ligamento transverso do carpo. Afeta principalmente mulheres entre 40 e 60 anos, mas pode surgir em qualquer pessoa.
O túnel do carpo é um espaço fechado que acomoda o nervo mediano e nove tendões flexores. Qualquer condição que aumente o volume dentro desse espaço — inflamação dos tendões, líquido sinovial excessivo, edema — pode comprimir o nervo. Fatores associados incluem: hipotireoidismo, diabetes, gravidez, artrite reumatoide e movimentos repetitivos com o pulso.
Sintomas típicos: Formigamento e dormência nos dedos polegar, indicador, médio e metade do anular — o território do nervo mediano. A dor e o formigamento costumam piorar à noite, acordando o paciente, e melhoram ao sacudir as mãos (sinal de Flick).
O diagnóstico é clínico na maioria dos casos. Testes como o de Phalen (flexão máxima do punho por 60 segundos reproduz os sintomas) e o de Tinel (percussão sobre o nervo no pulso provoca formigamento) são altamente sugestivos. A eletroneuromiografia (ENMG) confirma o diagnóstico, classifica a gravidade e guia a decisão terapêutica.
O ultrassom do nervo mediano é cada vez mais utilizado: permite visualizar o espessamento do nervo e avaliar causas locais de compressão.
A órtese de punso noturna — que mantém o punho em posição neutra — é o primeiro passo. Alivia os sintomas noturnos em 60 a 80% dos casos. Complementa-se com fisioterapia para mobilização do nervo e correção de fatores mecânicos.
A infiltração de corticoide ao redor do nervo mediano, guiada por ultrassom, oferece alívio rápido e pode ser definitiva em casos leves. Com o guia de imagem, o produto é depositado precisamente no espaço perineural, sem risco de injeção intraneural — que poderia lesar o nervo.
Estudos recentes mostram que a hidrodissecção — injeção de solução salina ao redor do nervo para liberá-lo de aderências — pode oferecer resultados comparáveis à cirurgia em casos moderados.
A liberação do ligamento transverso do carpo é uma das cirurgias mais eficazes da ortopedia, com taxa de sucesso superior a 90%. Pode ser feita de forma aberta ou endoscópica (minimamente invasiva). A recuperação é rápida — a maioria dos pacientes retorna às atividades em 2 a 6 semanas.
A cirurgia está indicada quando: há fraqueza e atrofia muscular da eminência tenar (músculo do polegar), os sintomas são constantes (sem períodos livres de formigamento), a ENMG mostra compressão grave, ou o tratamento conservador falhou após 3 a 6 meses.
Sim. Nos casos graves não tratados, pode ocorrer atrofia permanente dos músculos do polegar e perda de sensibilidade definitiva. Por isso, a avaliação precoce é importante — especialmente se houver fraqueza para pinçar ou abotoar roupas.
Na maioria dos casos, sim. Recidivas são raras. Nos casos com atrofia muscular avançada, a recuperação da força e da sensibilidade pode ser parcial — mais um motivo para não postergar o tratamento.
Sim. Cerca de 60% dos pacientes desenvolvem STC bilateralmente. Os dois lados podem ser tratados, com a cirurgia sendo realizada separadamente (com intervalo de semanas) para não comprometer as duas mãos ao mesmo tempo.
O uso do computador é frequentemente apontado, mas a evidência científica é controversa. O que mais importa é a posição do pulso durante o uso — manter o pulso em posição neutra (sem flexão ou extensão excessivas) reduz o risco.
Dr. Vagner Pires atende nas clínicas MedMais, OrtoDor e Instituto Indoor. Consulta presencial e avaliação especializada.
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